Eleições

Não quero me gabar, mas uma das minhas virtudes é capacidade de ver com bom humor as situações chatas que aparecem. Essa de trabalhar nas eleições é uma delas. Vou para lá contrariado. Tenho que acordar às 6:00hs em um domingo ensolarado e trabalhar de graça até as 17:00hs. Tem um saldo positivo nisso. Eu não ganho absolutamente nada, mas conheço pessoas, faço algumas constatações e volto de lá sempre com alguma história pra contar.

A primeira constatação que fiz foi que idoso não é respeitado mas mesmo assim ele é a alegria da seção. Dona Mariana com seus 86 anos e sua lucidez invejável, entra na sala sob vaia da fila que ela furou. Mesmo assim abre um sorriso contagiante e mostra o título de eleitor com o maior orgulho. Ainda desafia a autoridade do presidente da seção, com muita simpatia, fazendo boca de urna. E o que é mais incrível: fuma até hoje – desde os 19 anos. Disse que parou há dois anos com medo de viciar, mas acabou voltando. Disse que era por causa do charme. Mas eu acho que ela está começando a viciar.

A Segunda constatação é a de que brasileiro tem um argumento para tudo. Mesmo que não convença nada:

Durante a eleição é proibido qualquer manifestação sonora que interfira na decisão do eleitor. Manifestar o voto dentro da seção como também colocar jingle de candidato nas adjacências é expressamente proibido. Um indivíduo com seu carro pára embaixo da janela da sala de votação e coloca a música do Candidato a toda altura. Eu, sem nada melhor para fazer, resolvi exercitar minha autoridade. Chamei a primeira secretária da seção, e pedi que chamasse um PM e acabasse com aquilo. Como ela estava demorando fui lá ver o que estava acontecendo e escutei o argumento mais estapafúrdio e sem fundamento que já ouvi na vida: Com o pedido do PM, para desligar o som, o dono do carro saiu com essa no momento em que eu chegava perto: “as ondas sonoras são livres, isso é uma lei… da física.” Diante disto resolvi não me meter. Afinal sou leigo em lei e em física.

A terceira constatação é a de que não há uma coerência para escolha de nomes. Durante toda eleição eu tentava achar uma justificativa para um pai registrar a filha com o nome de Minervina. Para o Sênio também não achei uma justificativa plausível. Frederico é aceitável mas com o sobrenome de Eupídio fica terrível. Alvacena, Lucififfe, assim mesmo com dois efes, Elayde Duro (será que o pai estava sem dinheiro ?), Narriman, Gessy (Se for herdeira da fábrica de sabão está mais que justificado), Odevanir Gimene. Todos esses nomes foram tirados do caderno de votação. Não inventei nenhum. O caso mais interessante que achei foi o de uma briga entre mãe e filha. O motivo: o nome. Mas isso é uma outra história.

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